segunda-feira, 3 de agosto de 2009

CALVINISMO, CONFORME A REVISTA TIME, É A IDEIA QUE ESTÁ MUDANDO O MUNDO


A revista Time apontou o novo Calvinismo em terceiro lugar, na sua matéria de capa sobre as 10 Idéias transformando o mundo na atualidade(...).

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

CALVINO E A EDUCAÇÃO

CALVINO E A EDUCAÇÃO

Verdade e Pluralidade - Introdução

Todos os que chegam à Universidade a cada ano logo se apercebem da pluralidade de entendimentos, concepções e valores que marcam o ambiente universitário. Embora a diversidade esteja presente em sua vida muito antes de se tornar um universitário, é aqui na Academia que o estudante sentirá mais de perto a sua força.

A pluralidade é um dos conceitos ícones da nossa geração, uma das marcas da moderna Universidade. Como tal, requer a nossa atenção, especialmente pelo fato de sermos uma Universidade confessional. Ainda que a pluralidade seja considerada como um dos postulados mais bem estabelecidos da nossa era, é saudável refletirmos sobre sua natureza, efeitos e desafios.

1) Pluralidade na Universidade

Embora o ensino superior exista desde a Antiguidade, a Universidade moderna teve suas origens na Europa do séc. XII, conforme a opinião mais aceita, e deve sua forma atual às universidades de Bolonha, Paris e Oxford, que surgiram durante o século XIII. Apesar de ter sofrido influências e transformações oriundas da Renascença, da Reforma e do Iluminismo, a Universidade permaneceu basicamente a mesma e é uma das instituições mais antigas e estáveis do mundo ocidental.

As universidades medievais surgiram graças a diferentes fatores, como atender à crescente demanda de pessoas em busca de educação, o desejo idealista de obter conhecimento, a resistência ao monopólio do saber pelos mosteiros, a vitalidade das escolas mantidas pelas catedrais e o desejo de reformar o ensino. Todavia, elas tinham um objetivo comum, uma mesma missão, que era a busca do conhecimento unificado que permitisse a compreensão da realidade.

Universitas, na Idade Média, era um termo jurídico que, empregado para as escolas, significava um grupo inteiro de pessoas engajadas em ocupações científicas, isto é, professores e alunos. Só mais tarde o termo viria a significar uma instituição de ensino onde essas atividades ocorriam. Tal designação já aponta para a tarefa que pessoas diferentes tinham em comum: a busca da verdade em meio à pluralidade de compreensões. Esse alvo requeria uma síntese das diferentes visões e compreensões de mundo, um campo integrado que desse sentido aos mais diversos saberes. O princípio subjacente à criação das universidades, portanto, era a procura das verdades universais que pudessem unir as diferentes áreas do conhecimento. Daí o nome “universidade”.

Quando as universidades medievais surgiram, a cosmovisão cristã que dominava a Europa fornecia os pressupostos para essa busca da unidade do conhecimento. Hoje, a visão cristã de mundo é excluída a priori em muitas universidades modernas pelos pressupostos naturalistas, humanísticos e racionalistas que passaram a dominar o ambiente acadêmico depois do Iluminismo. Tais pressupostos não têm conseguido até o presente suprir uma base comum para as diferentes áreas do saber. A fragmentação do conhecimento tem sido um resultado constante na Academia, como se as diferentes disciplinas tratassem com mundos distintos e contraditórios.

Lamentavelmente, hoje, muitas universidades viraram multiversidades ou diversidades, abandonando a busca de um todo coerente, de uma cosmovisão que dê sentido e relacionamento harmônico a todos os campos de conhecimento. Esse fenômeno se verifica primariamente na área das ciências humanas; todavia, nem mesmo a área das exatas lhe é totalmente imune, como testemunham as diversas percepções, por vezes conflitantes entre si, na matemática, física e química.

Conforme Allan Harman escreve:

As universidades em geral não mais possuem um fator integrador. A palavra “universidade” tem a idéia de unidade de conhecimento ou de abordagem. Derivada do latim “universum” refere-se à totalidade ou integração. Claramente o conceito era de que, dentro de uma universidade, havia aderência a uma base comum de conhecimento que interligava o ensino em todas as escolas.
Edgar Morin, intelectual francês contemporâneo, percebe corretamente essa fragmentação do conhecimento e da educação nas diversas obras que tem publicado.

Para ele,

... o sistema educativo fragmenta a realidade, simplifica o complexo, separa o que é inseparável, ignora a multiplicidade e a diversidade... As disciplinas como estão estruturadas só servem para isolar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação. A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem.

2) Entendendo a Pluralidade

É evidente que existe uma grande pluralidade ou diversidade no mundo. A criação de Deus é plural, a humanidade feita à imagem dele é plural, as culturas são plurais, as idéias são plurais. Há uma enorme e fascinante diversidade na realidade que nos cerca. Para nós, essa impressionante variedade da existência revela a riqueza, o poder e a criatividade de Deus, conforme a Bíblia registra no Salmo 104.24,

Que variedade, Senhor, nas tuas obras!
Todas com sabedoria as fizeste;
cheia está a terra das tuas riquezas.

Tal entendimento em nada compromete nossa busca na academia por verdades absolutas e universais. As dificuldades surgem quando se confunde pluralidade com relativismo radical e absoluto. Esse último nega os conceitos de unidade, igualdade, harmonia e coerência que existem no mundo, entre idéias, pessoas e culturas. O relativismo total pretende desconstruir o princípio implícito de verdade absoluta, de valores, conceitos e idéias que sejam válidos em qualquer lugar e a qualquer tempo. Nesse sentido, a pluralidade se confunde com o relativismo que domina a mentalidade contemporânea, sendo entendida como a convivência de idéias e concepções contraditórias que devem ser igualmente aceitas, sem o crivo do exame da veracidade e sem que uma prevaleça sobre a outra, visto serem consideradas todas verdadeiras.

Para nós, que somos uma Universidade que se orienta por um conjunto de fundamentos – no caso, a fé cristã reformada –, a pluralidade, entendida como diversidade, é muito bem-vinda. A enorme variedade que caracteriza nosso mundo não anula de forma alguma a existência de verdades gerais e universais. Quando, todavia, a pluralidade é entendida como relativismo total ou sistema de contradições igualmente válidas, precisamos analisar o assunto com mais cuidado.

3) Desafios da Pluralidade

O relativismo absoluto gera diversos problemas de natureza prática, como, por exemplo, a dificuldade de se viver o dia a dia de forma coerente com a crença de que tudo é relativo. Mesmo os relativistas mais radicais são obrigados a capitular diante da inexorável realidade: a vida só pode ser organizada e levada à frente com base em princípios, valores e leis universais que sejam observados e reconhecidos por todos. Concordamos com Edgar Morin quanto à sua percepção da complexidade da vida e da existência . Todavia, entendemos que o reconhecimento de que todas as áreas de atividades e conhecimento são complexamente interligadas reflete um propósito unificado e uma origem única, apontando para o Criador. É evidente que essa interligação das partes com o todo, e vice-versa reforça a possibilidade de se buscar princípios e valores universais que permeiam e regulam o universo de conexões e aderências.

Dificilmente o ser humano consegue conviver em paz com o relativismo absoluto. Existe uma busca interior em cada indivíduo por coerência, síntese e unidade de pensamento, sem o que não se pode encontrar sentido na realidade, um lugar no mundo e nem mesmo saber por onde caminhar. Acreditamos que este ímpeto é decorrente da imagem de Deus no homem, um Deus de ordem, de propósitos, coerente e completo.

Para muitos, o ideal do pluralismo de idéias no ensino significa simplesmente que a Universidade deveria ser o local neutro onde todas as idéias e seus contraditórios tivessem igualdade de expressão, cabendo aos alunos uma escolha, ou não, daquelas que lhe parecerem mais corretas. Todavia, conforme bem escreveu Robert P. Wolff, a neutralidade da Universidade diante dos valores é um mito. É inevitável o posicionamento ideológico diante das questões da vida e do conhecimento. Esse ponto é inclusive reconhecido, ainda que timidamente, pela Lei de Diretrizes e Bases, quando define as universidades confessionais como aquelas que “atendem a orientação confessional e ideologia específicas.”

4) Verdade

As universidades de orientação confessional cristã há muito têm procurado desenvolver um modelo acadêmico em que a busca da verdade seja feita a partir da visão de mundo cristã em constante diálogo com a pluralidade de idéias e com a diversidade de visões e entendimentos. Não é tarefa fácil diante do mundo pluralista em que vivemos, a ponto de que alguns têm defendido que as próprias universidades confessionais desistam desse ideal.

Diante do quadro de fragmentação do saber e do relativismo que domina, em várias instâncias, a mentalidade universitária, afirmamos a existência, a realidade e a importância da verdade, de conceitos que são universalmente válidos em todas as áreas do conhecimento e da vida. Aqui, afirmamos as seguintes “verdades sobre a verdade":

1. A verdade é descoberta e não inventada. Ela existe independentemente do conhecimento que uma pessoa tenha dela. Ela existe fora de nós e não somente dentro de nós.

2. A verdade é transcultural. Se algo é verdadeiro, será verdadeiro em todas as culturas e tempos, ainda que sua expressão possa variar de acordo com o ambiente vivencial das pessoas.

3. A verdade é imutável, embora a nossa crença sobre ela possa mudar. Ela permanece a mesma, o que é relativo é nossa percepção dela.

4. As crenças das pessoas não podem mudar a verdade, por mais honestas e sérias que sejam.

5. A verdade não é afetada pela atitude de quem a professa ou de quem a nega.

Conclusão

Reconhecemos a diversidade e a complexidade das idéias, conceitos, costumes e valores existentes. Questionamos, todavia, que a pluralidade implica na total relativização da verdade. Afirmamos a existência de idéias e valores absolutos, princípios e verdades espirituais, éticas, morais, epistemológicas universais.

Cremos que o Cristianismo bíblico fornece o fundamento para a compreensão da realidade como um todo coerente, sempre levando em conta a fabulosa variedade da existência humana.

Encorajamos os alunos, os professores e o pessoal administrativo do Mackenzie a refletir sobre o fato de que a pluralidade, entendida como saudável diversidade, dentro de referenciais e sem a negação da verdade, enriquece o conhecimento humano e leva à melhor percepção de nós mesmos, de nosso mundo e de nosso Criador.

Rev. Dr. Augustus Nicodemus Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie


FONTE: http://www.mackenzie.br/ano2007000.html

Prof. Luis Cavalcante - http://luis-cavalcante.blogspot.com

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

PRESERVANDO A MENSAGEM DE R.J. RUSHDOONY: A Obra Mais Importante que a Chalcedon Pode Fazer pelo Rev. Mark R. Rushdoony



Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1

Com a morte de R. J. Rushdoony, fundador da Chalcedon e meu pai, em fevereiro de 2001, houve debate fora e dentro da fundação sobre o curso que ela deveria seguir. Embora muitos tenham encorajado nossos esforços contínuos, uma ou duas vozes sugeriu que deveríamos fechar completamente, para que não fôssemos vistos como nos aproveitando do nome do meu pai. Os últimos comentários, creio, vieram daqueles que não sustentavam o seu nome ou mensagem em alta estima. Outros, mais sinceramente, sugeriram que a Chalcedon tivesse uma nova cara e mudasse para novas áreas de atividade.

“Cresçam ou morram”, era a advertência deles. Nunca fui excitado com aplicar um modelo empresarial a um ministério, mas suas advertências foram feitas com um presságio de desastre, a menos que fizéssemos algo dramático. Talvez a Chalcedon tenha perdido umas poucas oportunidades. Se sim, isso permanece como meu legado.

Outra estratégia, mais conservadora, emergiu na Chalcedon após a morte do meu pai. Isso foi eficazmente, embora sem intenção, reconhecido esse ano por Martin Selbrede no artigo intitulado “By Faith He Still Speaks” [Pela Fé Ele Ainda Fala].2



Selbrede, vice-presidente da Chalcedon, identificou a “grande idéia” de R.J. Rushdoony (aquela que era superabrangente e colocou todas as outras de lado) como sua aderência consistente à suposição que o propósito do homem é glorificar a Deus. Selbrede observou a ênfase da mensagem do meu pai, que tornou sua voz sobressalente. “Não glorificamos a Deus”, disse Selbrede, “a menos que estejamos glorificando a Deus conscientemente”.

Esse era o modus operandi do meu pai em poucas palavras. Meu pai impulsionou os homens a uma busca autoconsciente da glória de Deus em toda área da vida e pensamento; ele assumiu que fidelidade envolvia esforço, não meramente um estado de mente ou ser.

Mais vezes que posso imaginar, as pessoas perguntavam sobre sua posição durona sobre um assunto ou outro. “Por que você crê…” ou “Por que os cristãos deveriam…”, eles começariam; sempre “Por que?”. A resposta do meu pai seria: “Porque isso é o que a Palavra de Deus diz”. O que seguia era freqüentemente um olhar desapontado ou um silêncio, como se estivessem esperando algo mais. Lembro uma vez quando ele comentou sobre o horror com o qual sua observação nas Institutes of Biblical Law I, que o homossexualismo era uma abominação moral diante de Deus merecendo sentença de morte, foi recebida. Seus críticos sempre se reportavam a isso como o que “Rushdoony crê”. Seu comentário era: “Estou escrevendo sobre o que a Bíblia diz. O que eles esperavam que eu escrevesse?”

Institutes of Biblical Law I é a obra mais conhecida do meu pai, e teonomia(significando simplesmente “a lei de Deus como tomando precedência sobre a do homem”) é uma parte principal do seu legado. Esse legado é seu grandemente por causa do antinomianismo (significando “contra a lei de Deus” ou contra a idéia que ela é moralmente obrigatória) da igreja do século vinte na qual ele reintroduziu tal conceito “radical” como lei de Deus.

Teonomia, contudo, não era a “grande idéia” do meu pai, mas somente um meio necessário de perseguir aquela. O homem não pode glorificar a Deus enquanto violando a Sua lei. A igreja a qual ele escreveu estava (e ainda está largamente) prestando serviço labial à glorificação a Deus, enquanto violando as leis de Deus e ensinando os homens a fazer o mesmo (Mt. 5:19). R. J. Rushdoony revirou algumas mesas antinomianas na casa do Senhor. Ele ainda é vilipendiado por fazer isso, principalmente por aqueles que estão agora guardando aquelas mesas dos seus herdeiros teonômicos.

Contudo, a grande idéia do meu pai e a mensagem central da Chalcedon é mais fundamental do que a lei bíblica. A razão pela qual a lei bíblica é controversa é que ela tem encontrado hostilidade dentro da igreja que professa glorificar a Deus, enquanto negligencia obediência à Sua lei. Embora tenha sido freqüentemente acusado(por aqueles que aparentemente negligenciaram a introdução à Institutes of Biblical Law I) de depreciar a justificação pela graça, o que Rushdoony depreciava era o pietismo como substituto para a obediência.

“A Palavra de Deus” era, para ele, uma posição segura contra aqueles que argumentavam que a graça de Deus deve ser justaposta à Sua justiça e assim, defendiam o antinomianismo como um caminho mais sublime. A lei bíblica era, ele claramente delineou, o modelo cristão para a santificação, não apenas justificação, que é um ato da graça de Deus e inteiramente Sua obra. A lei bíblica como instruções para a santificação (crescimento ou amadurecimento na graça) do homem era necessária, pois do contrário o cristão estaria procurando essa santificação através da ilegalidade ou rebelião.

Aqueles na igreja que repudiam R. J. Rushdoony acham fácil apontar seu ensino sobre a lei bíblica como a questão que os ofende, pois eles concordariam, pelo menos conceitualmente, com a necessidade de glorificar a Deus. Aqueles que estudam R. J. Rushdoony do lado de fora da igreja tendem a vê-lo com uma clareza um pouco maior.

Na maioria dos casos os secularistas vêem, na igreja moderna, uma mistura de idéias e movimentos. Em meu pai eles vêem um escopo, uma aplicação ampla da fé que outros professam. Assim, eles algumas vezes entendem incorretamente esse escopo, e sua consistência rigorosa, como a orquestração do Religious Right3 (o qual, por causa do seu potencial impacto sobre política e sociedade interessa-os como a teologia não o faz).

Nem todos têm perdido a ênfase da obra do meu pai. Michael J. McVicar é um candidato secular a Ph.D. na Universidade do Estado de Ohio, trabalhando sobre uma dissertação sobre a contribuição do meu pai para o pensamento religioso e político na América.4

Numa revista secular recente, The Public Eye, ele escreveu um artigo no qual identifica o que vê como as idéias centrais do meu pai:

Como um teólogo Rushdoony via os seres humanos como primariamente criaturas religiosas sujeitas a Deus, não como pensadores racionais autônomos… A inovação primária de Rushdoony foi seu esforço sincero de popularizar uma visão pré Iluminismo e medieval de um mundo centrado em Deus. Ao desenfatizar a capacidade do homem de raciocinar independentemente de Deus, Rushdoony atacou a suposição que a maioria de nós aceita sem críticas.5

Porque o homem foi criado à imagem de Deus, ele é, diferente dos animais, um ser moral. Por causa do seu pecado, contudo, o homem precisa de restauração, ou salvação. Um mundo centrado em Deus precisa da graça de Deus para homens pecadores, a fim de que ele possa se centrar uma vez mais em Deus. A lei bíblica não é o meio de salvação ou graça, mas o caminho daqueles que, pela graça de Deus, foram recentrados nele.

A abordagem pressuposicional de Cornelius Van Til representa a suposição intelectual que o homem é dependente de Deus para todo pensamento. Ela é uma visão centrada em Deus de como o homem pecaminoso pode conhecer algo. Novamente, “o que a Palavra de Deus diz” torna-se o ponto de partida. O homem rebelde é irracional no fato de rebelar-se contra o Deus da verdade, como um garoto sabe-tudo argumentando com um velho sábio. De novo, McVicar vê o cerne da abordagem de Rushdoony à epistemologia(o estudo do conhecimento): “No pensamento de Rushdoony, o conhecimento se torna uma questão de soberania disputada.”6

O pensamento do homem, quer para o bem ou mal, é necessariamente um exercício moral e religioso. Ele representa sua rebelião intelectual e obstinação, ou representa sua submissão autoconsciente ao Deus da verdade.

Bem mais poderia ser dito sobre as idéias centrais de R. J. Rushdoony e como ele as desenvolveu. A responsabilidade fundamental da Chalcedon é preservar as implicações amplas da centralidade de Deus e o senhorio do Seu Cristo que meu pai enfatizou.

Nossa mensagem é superabrangente porque as reivindicações do nosso Deus são totais. É essa crença nas prerrogativas de um Deus soberano e o dever do homem obedecer-lhe que leva a uma visão mais abrangente da responsabilidade do cristão, bem como à suposição pelos nossos críticos que ela é uma agenda política conspiratória.

Muitos grupos tentam iniciar reformas numa área de pensamento ou da vida. Esse é um objetivo legítimo, mas não para a Chalcedon. Focar-se numa área específica poderia facilmente nos fazer perder a amplitude da nossa mensagem. Mesmo a educação (pois somos uma organização educacional), um campo muito amplo e um aspecto específico da Grande Comissão, não é para um fim acadêmico, mas sim para levar à uma teologia de ação (“ensinando-os a observar todas as coisas,” Mt. 28:20).

R. J. Rushdoony era um erudito, um filósofo e um teólogo, mas preferia referir a si mesmo como um ministro de Jesus Cristo. Seu propósito era persuadir cristãos que a nossa crise cultural é uma manifestação em grande escala do pecado que pragueja o coração de todo homem, e que a alternativa ao pecado é a obediência fiel. Sua teologia não era uma busca acadêmica, mas um meio de trazer homens a um comprometimento autoconsciente de servir a Deus. Ele falava da necessidade de repensar e refazer (“reconstruir”) tudo das nossas vidas e instituições em termos desse objetivo autoconsciente. Ele queria inspirar cristãos a esforçarem-se para alcançar destreza nas suas respectivas áreas de trabalho e criatividade, e essa é a mensagem que a Chalcedon tem fornecido desde 1965, e será, pela graça de Deus, sua mensagem nos anos vindouros.

Sobre o autor: Rev. Mark R. Rushdoony é presidente da
Chalcedon e da Ross House Books. É também editor-chefe da Faith for All of Life e outras publicações da Chalcedon.

Fonte: Faith for All of Life, Novembro/Dezembro 2007, p. 2-3.


1 E-mail para contato: felipe@monergismo.com. Traduzido em maio/2008.

2 Martin G. Selbrede, “By Faith He Still Speaks” Faith for All of Life, January/February 2007, pp.16ff.

3 Movimento político conservador composto de cristãos. (N. do T.)

4 McVicar escreveu um artigo nesta publicação: “Rushdoony Among Academics: The Secular Relevance of the Thought of R. J. Rushdoony,” May/June 2007.

5 Michael J. McVicar “The Libertarian Theocrats” The Public Eye, Fall 2007, Vol. 22, No. 3. http://www.publiceye.org/magazine/v22n3/libertarian.html

6 Ibid.

Fonte: http://www.monergismo.com/textos/biografias/obra-mais-importante-rushdoony_Mark-Rushdoony.pdf